O Texto a seguir foi retirado do Blog “100 Cabeças” e ilustra muito bem a situação de como as empresas e agências de publicidade enchergam as crianças:
KGOY quer dizer Kids Get Older Younger. É uma expressão que se utiliza, não para explicar algum inesperado fenómeno de entrada precoce na idade adulta por parte das mais recentes gerações de animais tecnológicos, mas sim para sublinhar o facto de esses bichinhos terem uma cada vez maior influência nas escolhas de certos e determinados produtos de consumo.
Os KGOY são, na verdade, extraordinariamente infantis em termos emocionais e sociais, mas desenvolvem muito depressa competências no campo do reconhecimento de campanhas publicitárias, tornando-se alvos preferenciais de publicitários sem escrúpulos. São um alvo fácil embora nos queiram fazer crer que se trata de um público especializado. Os KGOY são especializados em consumo e a sua incapacidade para resistir aos apelos consumistas mais primários é visto como uma qualidade, pelos publicitários mas, convenhamos, é uma qualidade de merda!
Os KGOY são, em grande parte dos casos, verdadeiros tiranetes no espaço familiar. Quando desejam algo podem tornar-se mais chatos que um vendedor de enciclopédias ao domicílio. A publicidade infiltra-se nos nossos lares como um vírus maligno. Nem damos por isso. Entranha-se no cérebro dos KGOY e atacam-nos pela rectaguarda. Os KGOY são autênticos cavalinhos de Tróia.
O conceito de KGOY é, só por si, revelador da imbecilização consumista que comanda a globalização. Os miúdos tornam-se consumidores activos mais cedo, isso não quer dizer que eles estejam mais maduros ou preparados para o mundo que os rodeia! Mas, se é o consumo que comanda a vida, então um puto de 3 anos capaz de levar a mãe a comprar-lhe um qualquer gadget tecnológico é encarado como um cidadão de pleno direito. Claro que é.
Que raio de sociedade esta em que a actual se está a transformar. Cada dia que passa, há mais consumidores e menos cidadãos. Mais Economia e menos Democracia. Mais KGOY e menos putos normais. Mais dinheirinho e menos amorzito, daquele saboroso amor de pacotilha com que podemos sempre fazer de conta que o mundo ainda tem hipóteses de salvação.