Comemoração do vigésimo aniversário de Isaac, o poodle castrado da família Einsten.
Desde o surgimento misterioso do cão, Sinhô Einsten, o maluco da linguinha vermelha, resolveu comemorar todos os anos no jardim de sua casa, em Nova Jersey, o nascimento do quadrúpede implume falante. Acompanhado pela velha-guarda da Unidos dos las Cabeçitas de Cotonetes de Itu, a escola de samba dos apaixonados pelo jogo de Purrinha dos EUA, Sinhô Einsten, mais conhecido como Boby Algodão-Doce, adorava degustar uma planta raríssima da Patagônia, a boa e velha Cânhomonha Maluscháka.
A confraternização durava o dia todo (curiosamente, é desta festa que surgiu as Raves de hoje). A trilha sonora, um jazz em Sí Bemol com Sétima Diminuta, é de Jeyziwaldo Formiga, primo legítimo de Olavinho, que inclusive o levou pela primeira vez à Casa da Pata Rocha de João Miramar e deixou esse sentimento na memória do garoto juvenil.
Percebam, neste único video repleto de cores saltitantes, a alegria de Isaac e a satisfação estampada nas faces lisas das babalorishas e dos pais-de-santo naquele jardim do Éden (Jardim das Delícias ou Paraíso Terrestre).
A data era três de janeiro, Guarapari bombando e o meu amigo Olavinho Furmiga desolado por estar no último dia de recesso de revellion. A viagem tinha sido muito esperada e Olavinho Furmiga aproveitou ao máximo todos aqueles momentos incríveis, a começar pelo dia 30, quando desceu na estação de trem já carregado por seus dois “manos” depois de ter apostado, com um sujeito de Governador Valadares, quem conseguia pegar a mulher mais feia do trem. Apesar de ter se divertido bastante, Olavinho Furmiga acabou perdendo a aposta da mulher mais feia e para não sair no prejuízo resolveu bancar outra aposta com o novo amigo, a de quem bebia mais doses de conhaque Presidente, rebatido com queijo coalho, no vagão restaurante. Esta aposta Olavinho Furmiga ganhou.
No dia 31 viveu seu momento de glória e extase da viagem. Clima de virada de ano, altas princesas, e vai que Olavinho Furmiga da a sorte de encontrar seus amigos do Kavuca Samba fazendo um som num quiosque na beira do mar, Olavinho Furmiga não perdeu tempou e logo “formou” com a galera, assumiu o agogô, em seguida o tamborim e para finalizar mostrou toda suas destreza rítmica no pandeiro. Pura exaltação.
No primeiro dia do ano a viagem começou a ficar mais dura para o Olavinho Furmiga, ele acordou ainda meio ressaquiado, lá pelas onze da manhã, e foi dar um rolê pela praia, acabou encontrando com o seu amigo das apostas, o de Governador Valadares, e o cara estava revoltado por ter perdido a aposta do Presidente e acabou propondo uma outra, parecida com a antiga, mas agora com Pinga Coquinho e rebate de camarão seco, Olavinho Furmiga que não gosta de levar desaforo para casa topou a aposta. O resultado foi que Olavinho Furmiga acabou apagando ali mesmo, nas areias pretas da praia do morro sob o sol das três horas da tarde, o que lhe rendeu uma corsinha de camarão, algumas assaduras, além de um revertério intestinal que durou todo o dia seguinte.
Passado o pesadelo do dia anterior, Olavinho Furmiga resolveu curtir ao máximo seu último dia naquele paraíso tropical. Colocou sua sunga marrom, que apesar de estar meio relaxada lhe dava muita sorte com as mulheres, colocou também a bandana da galoucura e seu óculos “Vuarnet” que cuidava com muita estima. Fez sete flexões e doze abdominais, parou em frente ao espelho e disse em voz alta: – Você é o cara Olavinho Furmiga. E em seguida saiu para seu último dia de “Guarapa”.
>> Olavinho Furmiga dando um rolê pela praia do Morro (Guarapari- Verão 2009).
Só depois de conhecer a Velha Guarda da Mangueira que consegui traduzir o que meus pais falavam “Diogo, respeita os mais velhos!”. Então deixando de lado aquela velha brincadeirinha “Você vai ver a Mangueira entrar hoje?” e aproveitando o dia sagrado de hoje, deixo aqui (com um coração batendo muito forte) uma pequena apresentação do que a Estação Primeira de Mangueira têm: mocidade, samba e harmonia.
Mangueira, receba a benção dos nossos Orishás na capital do samba, tu és um cenário coberto de rosas.
Então é isso, entrem no barracão e degustem a Estação Derradeira.
OBS: Mariana Lacerda, bem-vinda à Confraria dos Bambas.